Por Nezimar Borges
Foto: OGlobo
Geraldo Vandré "Pra não dizer..."Maio, mês de destaque representativo de um dos meses do ano que jamais deverá ser esquecido. A se relembrar esse e a ter seus significados para aquela geração de 68 e os reflexos que trazem consigo a repassar para a juventude de hoje. Reflexos estes que sempre estarão na ordem do dia, principalmente quando os mesmos anseios e sonhos 68 estão na pauta de discussões contemporâneas: movimentos sociais, equidade social, justiça, inversão da ordem vigente, fome, desequilíbrio ambiental, econômico, social ... A esperança revolucionaria do mundo, naquele ano, sacudiu a ordem vigente em diversas partes do planeta, principalmente na Europa, Estados Unidos e no Brasil.
Indubitavelmente, o movimento social, cultural e político, de diversos matizes daquele ano, preocupam ainda hoje a elite e a mídia, por serem elas representantes e, nestes tempos representam os possidentes ápice de classe. O medo recai sobre o despertar da juventude para os graves problemas enfrentados por quase todos os poderes nos diversos continentes. Veja, nos Estados Unidos nunca se teve uma crise, que alguns mais apressados, indicam ser quase igual à de 29.
Foto: Corrêio da Manhã
Tão preocupante assim, faz a mídia disparar sua ideologia sobre 68: Que aquele foi um ano perdido; que a juventude declinou para uma utópica filosofia; que o ano de 68 deva ser esquecido, ou seja, diz ela para a juventude de hoje que tudo que se questionou ou se desejou em 68, sobre a esperança revolucionaria socialista e libertária, foi apenas um capricho de uma juventude rebelde. O recado está dado ideologicamente: “Jovens, continuem alienados e não nos incomodam e o que seus pais ou avôs fizeram no passado não deu em nada”. No entanto, sobre os problemas de outrora ser tão atual e este, talvez, ser até mais grave que os de 68, ainda assim, “jovens, fiquem onde estão”.
Ainda neste último final de semana, assistir, em um canal das Organizações Globo – Multishow da SKY, três dondocas comentando sobre “Elas que amavam tanto a Revolução”. E o que se discorria na conversa era essa ideologia repassada pela mídia de maneira geral: Que o movimento brasileiro de 68, encabeçado por sua juventude acabou mal para ela própria. O AI-5 foi instaurado em dezembro daquele ano o qual suprimiram todo e qualquer direito civil. Assim, para elas, aquele movimento é como se fosse um erro do passado que não se deva cometer no presente e muito menos no futuro. Se assim fosse, também o é hoje um erro lutar por vida digna e por um país decente. Talvez, nestes tempos, se têm muito mais motivos para se rebelar contra toda forma de injustiça. Já que hoje, há uma outra forma de ditadura. A dita do “capital democrático” que não há nada de democrático, pois quem eleva o governante a ser mandatário quase sempre é o grande capital, que sobreleva lucros e mais lucros em detrimento do sacrifício de milhões marginalizados em nossa sociedade.
Foto: Corrêio da Manhã
Há de se entender a preocupação da elite sobre 68. Pois ao se tentar apagar da história e da memória esse movimento, tenta-se também “matar” a perspectiva futura para nossos jovens. Aniquilar sua intrínseca e adormecida rebeldia é interesse da sustentação do “status quo”, sabem eles, que a perspectiva futura se insurgida na juventude presente conciliada a necessidade, também, do despertar do operariado e, nessa fusão bem soldada não tem quem a segure.
Portanto, o movimento de 68 em todo o mundo e, principalmente no Brasil, ecoa através dos tempos. Sempre será lembrado positivamente para uma perspectiva Revolucionária Socialista e Libertária.
Movimento este que dificilmente será riscado da história e da memória enquanto houver disparidades diversas. Ademais agora e sempre, enquanto houver um clamor por vida decente e por justiça social. E as lições daquele ano são imprescindíveis para o debate no presente, para se ter uma postura de consciência crítica futura dos problemas enfrentados por nossas populações e, através destes, almejar uma saciedade igualitária e justa. Sendo que os jovens ter-se-ão papel fundamental na construção dessa nova sociedade a decorrer de novos movimentos justos a se começar no presente para se chegar a uma melhora para a maioria no futuro.
*Nezimar Borges – Tecnólogo e Professor