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segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Homofobia e ignorância


Por Nezimar Borges

O debate sobre direitos das minorias intensificou-se, e assuntos que até pouco tempo se relutava a debater, isto porque era considerado tabu, agora há discussões sobre garantias concedidas aos homoafetivos pelo Supremo Tribunal Federal causando furor nos conservadores, diferentemente, na visão de especialistas no assunto, aqueles direitistas são tidos como mentes atrasadas e alienadas, que, diante da alteridade e do não conhecimento da natureza, lançam mão de atitudes atrozes, e dentre elas está a homofobia que vez por outra canaliza para a violência contra gays e congêneres e, portanto, diante desta triste realidade, se verificará que o comportamento homossexual, na compreensão deste “ordinário” blogueiro, está plausivelmente ajustada com as leis da natureza, ainda que incautos não conseguem enxergar e absorver explicações desses comportamentos e visualizam como se fossem extrínsecos à natureza humana.

Na visão científica todos os seres fazem parte da natureza e como tal um deles, por exemplo, o homem, está sujeito às intempéries diversas do meio ambiente, assim sendo, se no seu habitat há diversidades de mutação, então convém terminantemente afirmar que o homem, assim como qualquer outro ser vivo, acompanha essas mudanças, pois é parte da natureza.

Neste aspecto, acha-se a priori, o empecilho para o entendimento da, digamos assim, dialética do mundo natural, porque diante da insignificante média de vida deste ser (70 anos) diante de milhões de anos de evolução, desta maneira ele não consegue visualizar e sentir que a natureza está a todo o momento mudando. Na realidade pouco ou quase nada se vê de evolução em 70 anos.

De outra forma, na extemporaneidade de abstrações, por exemplo, se este ser tivesse supostamente uma média de vida de um milhão de anos, teria ele vivenciado na práxis a existencial idade de uma série de aparecimento e extinção de seres vivos, entretanto como não possuem esta graça, convém a ele a busca de entendimento noutras formas que não tem explicação alguma no relevo material.

Se ainda assim não se consegue entender que a natureza evolui, o que dizer, por exemplo, de regiões do planeta onde há generalidades de genes, como a cor de pele negra em uma parte da terra, em outras há aqueles de pele branca e olhos azuis; em outras os olhos pequenos e puxados, típicos de uma região denominada de “sol nascente” ou em outras onde o animal, o camelo, por exemplo, não precisar de água por um tempo demasiadamente estendido? Ou ainda peixes no habitat de cavernas quase sem a luminosidade, desenvolverem olhos atrofiados, dentre outros.

Poucos se interessam pelos estudos de um famoso naturalista inglês, Charles Darwin, que em 1859 respondeu satisfatoriamente a esses questionamentos. Seu estudo versa sobre “A origem das espécies” no qual afirma que a natureza e o meio ambiente definitivamente esculpem qualquer ser em seu habitat. Sendo, por isso, a vertente do conhecimento cientifico mais atacada por aqueles que designam a origem de tudo ao que é metafísico, sobretudo ao mundo transcendental.

Na evolução os fatores marcantes para o delineamento dos seres vivos estão no clima, forma de alimentação e predação, onde este último talvez sobreleve os outros dois, sendo fator relevante para o determinismo biológico que ocasionará o sucesso de futuro existencial da espécie, tanto para presa e predador, determinando dessa forma a sobrevivência do mais apto ou da espécie mais adaptada ao meio.

Volta-se, todavia, ao tema da homofobia, que segundo Aurélio, homo é o gênero de primatas simiiformes do qual os humanos (Homo sapiens) são os únicos representantes atuais ou qualquer espécie desse gênero, como os extintos Homo habilis (homem hábil) Homo erectus (homem ereto); e fobia como sendo o medo mórbido e aversão.

Mas por que adentrar sobre a “Origens das espécies” para embasar o comportamento homossexual e atacar suas trágicas consequências, tais como preconceito e homofobia? Ora, se a natureza molda o comportamento dos animais então é plausível fazer análise dentro da seara científica-biológica para clarificar tal comportamento, e os costumes e modos e tradições são elementos imprescindíveis para o aparecimento evolutivo de diversos genes.

Então a explicação para o comportamento homossexual ancora-se nos ombros da “Origens das espécies”, dai faz se o seguinte questionamento: consegue-se imaginar quando foi que um casal de primatas pela primeira vez na cópula “de quatro” conseguiu penetrar satisfatoriamente fazendo “sexo não convencional” ou comumente praticada de certa sodomia? O macho gostou? E a fêmea? A princípio como experimentalmente ocorre acredita-se que ela, não. Ele com muita certeza, sim.

Mas com o ato outras vezes, a fêmea se adaptou a esse costume e seguramente conseguiu também achar algum prazer nesta atmosfera de atos libidinosos. Há de considerar, porém, que isto pode ter acontecido a milhares de anos e quantas e quantas vezes se repetiram no decorrer do tempo, sendo o principal fator que contribuiu para o aparecimento do “novo” gene. Hoje, em níveis de 100% o homossexual, e 50% o bissexual.

Assim não há dúvida que na contemporaneidade esses atos sexuais existem corroborando sobremaneira para a existencialidade dos referidos genes. E há contra-argumentos que versam sobre o porquê de descendentes de casais que, embora em nenhum momento de suas vidas praticassem tal “sexo não convencional” ainda assim suas crias possuem o referido gene, tanto o homossexual macho quanto a homossexual fêmea. Simples. Com grande certeza os antecedentes dos genitores da cria praticaram tal conjunção.

A proposito, não há dúvida que estes genes estejam difundidos no meio populacional não sendo exclusividade do animal humano, sendo observado também em outras diversas espécies.

Contudo, a homofobia gera extrema violência física (muitos são assassinados e chacinados) e, infelizmente, pessoas que cometem esses crimes são apenas mentes alienadas e aprisionadas dentro de uma “matrix”, pois não conseguem enxergar que o comportamento homossexual faz parte da natureza do animal humano e que o individuo já nasce com essa característica genética.

Homofobia e ignorância, portanto, serão sempre irmãs siamesas, sendo os dois lados de uma mesma moeda. E pessoas que possuem esse medo mórbido carecem do adequado conhecimento cientifico que sobreleve em suas mentes em detrimentos do conhecimento do senso comum tão imanente àqueles ignorantes em relação à natureza humana.


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(*)Professor de Física
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