Impressões de Rup Silva
Por Rup SilvaA expressão “cidade sem lei” vem de priscas eras, usada no inicio da colonização americana para definir um lugar dominado pela bandidagem. Os conhecidos “facínoras”, segundo os gibis e filmes que se reportavam aqueles tempos selvagens da vida americana. Lá agiam livremente e faziam prevalecer a lei conforme seus interesses.
Não fosse o Amapá um Estado legalmente constituído, resultante da Constituição cidadã de 88; não vivesse a plenitude do Direito e o respaldo das Constituições Federal e Estadual; não tivesse um governo legitimamente constituído, eleito pela vontade da sociedade amapaense; não estivesse convencido e determinado a cumprir sua missão de atender as demandas da sociedade, diríamos que estávamos mergulhados na ingovernabilidade [contrariando Sarney], como era o desejo da tal Harmonia, que respira por aparelho e se recusa morrer.
Para chegar aonde chegou, o atual governo, segundo as pesquisas, acabou de fechar seu primeiro ano com louvor e uma aprovação popular invejável [mais de 70% somados os muito bom e bom].Mas não foi fácil. Teve que resistir heroicamente às forças reacionárias, desagregadoras, retrógradas que nos últimos anos [esqueceram?] destruíram as finanças do Estado, obrigando o governo a se desdobrar para recuperar o crédito junto as instituições financeiras, governo federal e a população.
A situação, é bom jamais esquecer, era tão tenebrosa que o governo teve que trocar turbina em pleno voo, para usar uma imagem corriqueira, mas verdadeira. Tapar rombos, pagar dívidas, reorganizar a máquina administrativa, reequipar o sistema sucateado e concluir obras inviabilizada pela roubalheira era uma tarefa quase impossível, mas cumprida apesar de tudo.
Temos que repetir isso reiteradas vezes para que a sociedade não esqueça. Não me importo em ser repetitivo. Temos que bater nessa tecla exaustivamente para que esse quadro imoral não aconteça novamente e venha prejudicar o Estado e seu povo. Para que esses agentes que infelicitaram o Amapá sejam banidos de vez. O Amapá precisa de paz para reencontrar seu caminho. Aqueles foram anos difíceis vividos. Os piores de nossa tenra existência. A sociedade não pode esquecer, repito.
Mas é dolorido ter que aguentar o teatro bufo, degradante, imoral, antiético montado pelos políticos que não querem abrir mão de seus privilégios e assumem impunemente a atitude antidemocrática de desestabilizar o governo e sublevar a sociedade.
As mentiras veiculadas nos meios de comunicação, a exigência em tom de ultimato dos deputados por recursos orçamentários que fogem a realidade e prejudicam as ações do governo, o “teatro” rídiculo e indigente de Gilvan Borges e o seu governo “paraleso”, o silêncio criminoso dos políticos e midiáticos são o triste retrato da decrepitude de uma classe política incapaz de separar os interesses públicos dos interesses privados.
De sorte que o governo resiste com segurança e autoridade a esses desvios de comportamento e realiza seu trabalho com rara eficiência – basta olhar com atenção e ver o que tem pra ver, como tem feito, ainda bem, a maioria da sociedade.
É bom lembrar que como membro da República, somos amparados por leis e por instituições que tem a obrigação de manter invioláveis os princípios e as regras constitucionais. A harmonia da forma como interpretada e praticada no governo passado jamais pode significar conluio, capitulação às práticas lesivas aos anseios do conjunto da sociedade.
Daí que a decisão do Des. Vales, no que se refere a partilha do orçamento, conforme modelo concebido pela AL, tomada recentemente, enche todos nós de esperança e nos faz acreditar, apesar de tudo, que há uma luz no fim do túnel. Da mesma forma que a atitude da Procuradora do Estado, Ivana Cei, ao denunciar a mesma Assembleia Legislativa junto ao Ministério Público Federal sobre o aumento indecoroso e descabido [mais de 160%] das tais verbas indenizatórias, valores incompatíveis com a economia do Estado.
O retorno desses organismos ao leito da normalidade, fazendo o trabalho que deles se espera como ocorre em qualquer sociedade decente, nos permite sonhar com um Estado avançando no sentido de sanear seu déficit social, dependendo do governo é claro. Os governos, óbvios, serão sempre diferentes nos objetivos e forma de atuação. O que não pode mudar é a maneira dessas instituições agirem em nome da normas legais.
Não custa lembrar que os governos são circunstanciais, passageiros, diferente dessas instituições que são perenes, permanentes e tem a obrigação, no exercício de seu poder – sem discriminar, sem fazer acordos espúrios, de zelar pelos interesses do cidadão, a quem o governo tem obrigação de satisfazer.
O que se deseja então? Governo trabalhando em favor do povo e instituições públicas funcionando e exigindo o cumprimento da lei. Não se trata de concessão, mas obrigação. Afinal é o nosso suado dinheirinho que financia todos eles, sendo correto então que a sociedade, repetimos, seja o seu maior e único beneficiário.

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