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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Novo ano letivo, velhas preocupações


Nezimar Borges(*)

Prestes a iniciar um novo ano letivo para alunos e profissionais da educação do Estado do Amapá, ressurge a preocupação com a violência que acomete com certa frequência o ambiente escolar, prejudicando e contrariando sua função precípua, a de transmissão de conhecimentos úteis à vida do educando, à formação de uma pessoa para a cidadania e a contribuição para a constituição do cognitivo.

Lamentavelmente, está tornando-se banalidade, em nossas instituições de ensino, a manifestação do bullying, que comumente se observa registrado em celulares de estudantes e propagados na internet ou, lamentavelmente, quando vemos a mídia denunciar casos graves de agressões a professores Brasil a fora. Precisamente, o termo inglês, bullying, designa atos de violência física ou psicológica, manifestados intencionalmente e de forma repetitiva com a intenção de intimidar e agredir uma ou mais pessoas em situações desfavoráveis à defesa. Neste caso, o agressor ao menosprezar a vítima, julga-se em condições de subjugá-la por se considerar mais forte e superior a mesma.

A preocupação, ora manifestada, reside na observação desta prática dentro do ambiente escolar ou, ainda que em lugar distinto, como na rua, desde que o motivo para a ação tenha se originado nele, pois este ato de violência incomoda tanto quando praticada dentro do recinto escolar, quanto fora dele, envolvendo estudantes uniformizados, rebeldes e momentaneamente desequilibrados que maculam a imagem do estabelecimento de ensino por mais sério que seja e ainda que usufrua de um bom trabalho. Pois, geralmente, o efeito recai sobre o estabelecimento de ensino, já que um transeunte que tenha o desprazer de presenciar ações de violência de alunos uniformizados, dificilmente identificará os estudantes pelos nomes, mas ao comentar o caso certamente dirá se tratar de alunos da escola “tal”; desta forma, além da vítima, os agressores acabam ferindo também a imagem da escola.

Em virtude do efeito danoso do bullying, estudiosos preocupam-se em analisar os fatores que contribuem para essa prática constrangedora em instituições de ensino, comumente admitem ser fácil associá-los ao consumo de entorpecentes, à violência familiar, à miséria, à discriminação e à carência afetiva, mas afirmam ser muito mais complexo na realidade. Há pesquisas que indicam que adultos violentos têm personalidades autoritárias, associadas a uma intensa necessidade de controle e dominação; além de observar que a inveja e o ressentimento podem servir de motivo para a prática do mesmo.

Os agressores geralmente pertencem a famílias desestruturadas, nas quais há pouca manifestação de carinho e respeito entre os membros. Porém como diagnosticar os motivos que levam adolescentes que nasceram em famílias bem estruturadas, com doses exatas de carinho e atenção, numa realidade social favorecida, longe da criminalidade, a praticarem atos de violência contra outras pessoas? Partindo desta indagação, o cientista sueco Dan Olweus definiu bullying em três termos essenciais: comportamento agressivo e negativo, comportamento executado repetidamente, comportamento que ocorre num relacionamento onde há um desequilíbrio de poder entre as partes envolvidas. Olweus dividiu, ainda, em duas categorias o bullying: bullying direto; bullying indireto, também conhecido como agressão social. Para ele, a prática do bullying nem sempre é igual para meninos e meninas, segundo ele o bullying direto é a forma mais comum entre os agressores masculinos. Sendo o bullying indireto a forma mais comum entre o sexo feminino e crianças pequenas, e é caracterizada por forçar a vítima ao isolamento social.

O fato é que o bullying se manifesta, geralmente, quando há uma deficiência na supervisão dos adultos, quando os pais deixam de tomar uma providência quando o filho é alvo de atitudes grosseiras, repetitivas e disfarçadas de brincadeira que podem se agravar. Quando os pais assumem uma postura permissiva e tolerante, resolvendo adotar o papel de amiguinhos do filho, quando deveriam assumir a responsabilidade de educar e de transmitir valores essenciais como respeito e alteridade. Por sua vez, a escola deve cumprir rigorosamente seu papel, impondo-se por meio de intervenções efetivas contra a prática do bullying em qualquer de seus estágios, reprimindo-o. Parafraseando o notável físico Galileu Galilei, muito podemos ensinar a um jovem, quando o ajudamos a descobrir coisas dentro dele. Coisas como a tolerância, o respeito e o amor ao próximo.


(*)Acadêmico de jornalismo/Unifap

 
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